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Depois do Google, hackers atacam a Intel
O Estado de S. Paulo - SP
Invasão aos sistemas da empresa de chips foi em janeiro, mesma época do ataque ao Google atribuído a chineses
PERDA - Sede da INTEL na Califórnia: empresa não informou quais os efeitos dos ataques de hackers
A INTEL anunciou ontem que sofreu um "sofisticado" ataque de hackers em janeiro. A empresa não informou quem estaria por trás dos ataques, onde teriam sido originados, se dados foram levados e quais seriam.
O anúncio foi feito no comunicado anual da empresa ao órgão regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos. Segundo a maior fabricante de chips do mundo, o ataque foi mais um entre os muitos que são regularmente direcionados contra seus sistemas.
O ataque à INTEL ocorreu na mesma época das invasões de sistemas do Google atribuídas a chineses. Os representantes do Google afirmaram na ocasião que outras empresas também haviam sido atingidas, sem especificar quais.
O governo chinês afirmou ontem que a alegação do Google de que seus computadores foram atacados por hackers que operam da China é "infundada". As declarações do porta-voz do Ministério do Exterior chinês Qin Gang foram a primeira rejeição direta às alegações da empresa.
A China havia defendido anteriormente seu direito de censurar o conteúdo da Internet e desconsiderado as acusações de ataques por hackers, dizendo que o Google teria de respeitar as leis chinesas.
"A declaração do Google em 12 de janeiro é infundada e nos opomos firmemente a ela", disse Qin Gang em comunicado a jornalistas na capital chinesa, quando questionado se havia algum desdobramento novo.
"A China administra sua Internet conforme a lei, e essa posição não vai mudar. A China proíbe atividades de hackers e as reprimirá de acordo com suas leis", acrescentou Qin.
O Google, principal serviço mundial de buscas na Internet, anunciou em janeiro que havia descoberto sofisticados ataques, vindos da China, contra ativistas dos direitos humanos que usam seu serviço de e-mail Gmail, em todo o mundo.
Depois de estudar os ataques, a companhia informou havia decidido que não toleraria mais a censura ao seu site chinês de buscas, o Google.cn. O grupo também ameaçou fechar seus escritórios na China.
Washington apoiou a empresa e pediu que Pequim investigasse as alegações de ataques de hackers de forma completa e transparente.
A questão voltou às manchetes devido a recentes reportagens em jornais ocidentais de que a origem dos ataques havia sido localizada em duas escolas chinesas, e que o responsável pela criação do software de espionagem havia sido identificado como um consultor de segurança, na casa dos 30 anos, ligado ao governo da China.
Na avaliação de especialistas em segurança, a melhor arma contra hackers que ameaçam os negócios e a segurança mundial seria criar uma regulamentação internacional para o ciberespaço. Mas essa cooperação ainda não existe.
Palestrantes reunidos em uma conferência no EastWest Institute, na semana passada, disseram os países pensam demais em termos locais sobre segurança online. Eles avaliam que o alcance de legislações nacionais é limitado para proteger as pessoas contra o uso indevido de uma ferramenta de comunicação sem fronteiras.
"Os países vivem em estado de negação", disse Pavan Duggal, especialista indiano em leis da computação. "Talvez seja necessário um evento que cause grande choque para que as pessoas despertem de sua complacência, algo equivalente a um 11 de setembro no ciberespaço."
O FBI calculou que os prejuízos com crimes online sofridos apenas por pessoas físicas nos EUA chegou a US$ 264 milhões em 2009, comparado com US$ 18 milhões de dólares em 2001. É provável que esse montante represente apenas uma fração das perdas de empresas e departamentos do governo.
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