|
 |

Quanto valem os serviços de TI nas organizações?
CIO - SP
De acordo com consultor, muitos CIOs optam pelo modelo de chargeback, mas erram na hora de calcular quanto cada unidade de negócio precisa pagar pelo uso efetivo da tecnologia
Por mais difícil que pareça, o CIO precisa encarar que trabalha em uma área considerada um centro de custos e que não tem qualquer fluxo de receita que justifique seus gastos. Ou seja, os gestores de TI estão totalmente dependentes dos investimentos das demais unidades da companhia e muitas vezes têm seus orçamentos baseados no modelo de chargeback – no qual as áreas de negócio pagam pelo uso da tecnologia. O que à primeira vista parece a solução perfeita, cria problemas inesperados para muitas empresas, de acordo com Albert Eng, diretor da consultoria focada em gestão de recursos Cerberus Capital Management.
Eng, que foi CIO do banco American International Group, afirma que para não errar, o gestor de TI precisa entender que cada unidade da empresa tem seu próprio objetivo de como gastar os recursos. “E se os custos são compartilhados por todos igualmente, sem avaliar o uso individual ou a rentabilidade obtida com os recursos de TI, existe um problema”, considera o consultor. “Um mecanismo efetivo de chargeback permite escalonar os custos para baixo e para cima, de acordo com a demanda e o uso efetivo”, acrescenta.
Ainda de acordo com ele, existem diversas armadilhas nos mecanismos de cobrança mais simplistas. Um exemplo é quando define-se que os custos serão proporcionais à rentabilidade de cada unidade de negócio. Nesse caso, a TI pode penalizar aquelas áreas que tiveram aumento dos resultados, mas usaram menos recursos tecnológicos, afirma Eng. Ele informa que a recíproca também é verdadeira.
Outro exemplo de iniciativa que tende ao fracasso é quando cria-se um grupo de serviços compartilhados e pelo qual cada unidade paga uma determinada quantia para manutenção das operações. Assim, a TI passa a funcionar como uma espécie de provedor interno, o que pressupõe um aumento da eficiência e uma redução de custos, por conta de ganho de escala e reuso dos recursos. O diretor da Cerberus, no entanto, destaca que o CIO precisa estar preparado para bancar os gastos decorrentes de falhas nas projeções ou perdas decorrentes de problemas nos projetos. “Pior, a área de TI passa a concorrer com fornecedores externos, que vão oferecer custos menores para os executivos de cada unidade de negócio”, considera Ergs.
Alternativas ideiais
Os melhores modelos de cobrança, segundo o especialista, são aqueles que contemplam um pagamento sob medida para cada unidade de negócio, de acordo com sua performance e necessidade. Para isso, os CIOs precisam basear-se em medidas concretas, como o número de usuários ou de aplicações, poder de processamento, quantidade de dados armazenados e número de servidores.
E a metodologia precisa estar alinhada com uma abordagem estratégica de reduzir custos e também gerar valor para os negócios por meio da TI. Para tanto, o CIO deve estar preparado para repassar – na forma de redução dos custos – qualquer ganho que ele obtenha com a troca ou melhor uso de um sistema ou aplicação.
“É mais fácil falar do que fazer, mas vale a pena o esforço”, conclui Eng, ao ressaltar que as empresas precisam buscar um melhor alinhamento entre os gastos com TI e o valor que a área traz para as unidades de negócio.
Comentários - 0 comentário(s)
Não existe nenhum comentário. Seja o primeiro a postar um comentário.
|