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História

Intel transforma seu laptop escolar em 'e-book'

Valor Econômico - SP 



Nova versão do "Classmate PC" tem o varejo como alvo

Kapil Wadhera, da Intel: 2 milhões de unidades vendidas em mais de 60 países

A fabricante de chips INTEL deu mais um passo em sua investida para conquistar terreno no mercado do laptop escolar. Nesta semana, a companhia americana apresentou um protótipo da nova versão de seu "Classmate", um computador portátil criado especialmente para uso em sala de aula. O Valor teve acesso com exclusividade ao equipamento, que começará a chegar ao mercado no segundo trimestre.

O novo portátil educacional da INTEL é, na pratica, um computador completo. Com tela de cristal líquido (LCD) de 10,1 polegadas e placa de acesso à internet sem fio embutida, o Classmate tem capacidade de armazenamento de até 250 gigabytes. Além do teclado, a tela de LCD ganhou proteção à prova d'água. A bateria do equipamento, que na versão atual dura no máximo seis horas, foi extendida para até oito horas e meia. A principal novidade, no entanto, é a capacidade de converter o equipamento em um leitor de livros digitais. O aluno pode girar a tela e, com a ponta do dedo, "folhear" as páginas do livro e fazer anotações usando uma caneta acoplada ao computador. Um software de colaboração permite que os estudantes compartilhem, instantaneamente, os arquivos e o conteúdo mostrados na tela.

O produto, diz Kapil Wadhera, líder mundial da INTEL para o projeto Classmate, é resultado de um ano de trabalho envolvendo um time engenheiros, designers, professores e alunos. Wadhera, que nesta semana visitou o Brasil pela primeira vez, concedeu entrevista exclusiva ao Valor. "Definitivamente, trata-se de um computador completo, mas é um equipamento repleto de características educacionais", diz.

A passagem de Wadhera pelo Brasil incluiu visitas a membros do governo e empresas. O interesse da INTEL por este projeto não é meramente institucional. Embora não produza computadores, delegando essa tarefa a companhias especializadas nisso, a INTEL embute no Classmate os seus processadores. No caso dos portáteis educacionais, a fabricante de chips decidiu, por conta própria, desenvolver um equipamento, com o propósito de impulsionar o mercado.

Os resultados têm aparecido, comenta Wadhera. Lançado dois anos atrás, o Classmate já atingiu a marca de 2 milhões de unidades vendidas em mais de 60 países. O contrato mais recente foi fechado no Brasil, que comprou 150 mil unidades do equipamento no fim do ano, por meio de uma licitação vencida pela fabricante Digibrás, controlada pela CCE. Wadhera sabe, porém, que isso foi apenas uma amostra do que está por vir. O Brasil tem hoje 42 milhões de alunos na rede pública de ensino do país, distribuídos por 176 mil escolas. Para estimular o projeto, o governo federal firmou recentemente um acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que irá disponibilizar uma linha de financiamento de R$ 650 milhões para que Estados e municípios do país possam adquirir suas máquinas. A expectativa é adquirir mais de 1 milhão de laptops escolares.

Enquanto olha para compras públicas, a INTEL também corre para fechar acordo com fabricantes e redes varejistas, que deverão colocar os portáteis da empresa nas prateleiras nos próximos meses. Wadhera prefere não falar em preço, mas admite que a nova versão do equipamento vai chegar mais cara que a atual. Nos Estados Unidos, estima-se que, dependendo da configuração, o novo Classmate custe de US$ 300 a US$ 500. No projeto brasileiro, o governo pagou R$ 550 por cada portátil.

Parceiro de grandes multinacionais, como Hewlett-Packard (HP), DELL e Lenovo, a INTEL tem usado a associação com fabricantes locais para tocar a produção de seu computador educacional. No Brasil, a montagem dos equipamentos está nas mãos da CCE e da Positivo Informática. No mundo, a lista de empresas envolvidas com a iniciativa chega a 300 companhias, entre fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de sistemas e prestadores de serviços.


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